Saúde Mental na Catástrofe do Rio Grande do Sul

Como a Psicologia Pode Auxiliar na Saúde Mental na Catástrofe do Rio Grande do Sul – 5 Pontos Essenciais

Índice

  1. Introdução
  2. De onde se tira forças em um momento como esse?
  3. Expressão das Emoções e Acolhimento
  4. Reconstrução e Pertencimento
  5. A Psicologia Positiva em Situações de Crise
  6. Mensagem de Esperança
  7. Conclusão

1. IntroduçãoSaúde Mental na Catástrofe do Rio Grande do Sul

Precisamos falar sobre Saúde Mental na Catástrofe do Rio Grande do Sul. No dia 02 de maio de 2024, uma grande enchente atingiu o Rio Grande do Sul, causando muitas fatalidades e deixando milhares de moradores desabrigados. Cenas de caos e pânico tomaram conta dos noticiários de TV, mas fenômenos humanos naturais afloraram de todas as partes do Brasil e do mundo: a comoção popular, o voluntariado. Gaúchos se uniram por um bem comum: a vida. Jovens, adolescentes, idosos, homens, mulheres, profissionais das mais diversas áreas e de diversos locais do Brasil se uniram em apoio aos gaúchos. Famílias inteiras perderam tudo, mas estavam ali, nos abrigos, ajudando outras pessoas que chegavam após o resgate.

2. De onde se tira forças em um momento como esse?

Do ponto de vista da Psicologia, uma tragédia gera um choque psíquico e, no primeiro momento, sobreviver é a prioridade principal. No segundo ponto, ser acolhido, comer, beber água potável, um agasalho para o frio e uma cama é tudo o que importa; são necessidades básicas essenciais da vida.

Saúde Mental na Catástrofe do Rio Grande do Sul

Crédito: Divulgação/Univates

3. Expressão das Emoções e Acolhimento

Num terceiro momento, acordar do choque causa uma sensação de desespero. É como acordar de um pesadelo e perceber que ele é real; é quando a “ficha cai” e o mundo novamente desaba. Não se pode ignorar essa dor, nem mesmo mascará-la. É preciso colocá-la para fora, e quem acolhe precisa estar preparado para isso, para simplesmente ouvir, estar ali e dizer: “- Nós estamos no mesmo barco, mas estamos juntos.”

4. Reconstrução e Pertencimento

Não se deve pedir para as pessoas recontarem como tudo aconteceu, pois isso as faz reviver o trauma. É importante que elas sejam ouvidas, que extravasem as emoções, que vivam o luto da perda, seja material, seja de um ente querido, de um animal de estimação, seja até mesmo da fé. É preciso que a pessoa seja acolhida pelo grupo, que aos poucos comece a sentir-se parte dessa nova comunidade em recomeço.

5. A Psicologia Positiva em Situações de Crise

A Psicologia Positiva ganhou força nos Estados Unidos entre 2001 e 2005. Entre os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 ao Furacão Katrina, não havia respostas ou protocolos para catástrofes ou tragédias de tamanha proporção desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Era preciso tratar as feridas da alma e, em seguida, se agarrar a um fio de esperança que fizesse a vida voltar a fazer sentido. Muitas pessoas encontraram sentido ajudando outras.

Cuidar das Crianças, dos Idosos, das Pessoas com Necessidades Especiais, dos Enfermos, dos mais vulneráveis, como vítimas com histórico de depressão, ansiedade ou demais condições psicológicas é essencial.

Crédito: Lisielle Zanchettin / Agencia RBS

É importante entender que as crianças têm total ciência do que está acontecendo, as maiores de 2 anos podem estar assustadas e em estado de choque, com dificuldades para dormir, irritabilidade e baixa capacidade de adaptação a um novo ambiente. É importante encontrar formas lúdicas de explicar para elas que, não importa o que aconteça, estarão protegidas e seguras.

Com os idosos não é diferente, mas ao invés do lúdico, o ato de ouvi-los, além de inspirar coragem, faz com que sintam-se acolhidos e úteis, pois realmente são experientes em vida. O que se segue após uma catástrofe pode causar, desde um Estresse Pós Traumático leve a moderado, às vezes severo e que precise de maior atenção.

A maioria das pessoas consegue se recuperar naturalmente, mas uma parcela significativa pode precisar de auxílio psicossocial redobrado, como vítimas com histórico de condições psicológicas anteriormente afetadas, usuários da rede de apoio psicossocial e pessoas com necessidades especiais, pois a adaptação a um ambiente provisório será bem mais difícil.

6. Mensagem de Esperança

Crédito: REUTERS/ Adriano Machado

Nada, absolutamente nada poderá devolver a mesma paz e tranquilidade de antes. Nada mais será como antes. Reconstruir o que foi destruído poderá levar décadas, mas assim como as gerações passadas reconstruíram o Rio Grande do Sul após a cheia de 1941, essa geração reconstruirá o Rio Grande do Sul, tijolo por tijolo, semente por semente, casa por casa, e entrará para a história como a geração que se uniu, que mostrou ao mundo que ainda há solidariedade em meio a tanto individualismo, que não importa a idade, seja filho, mãe ou avô, todos estão empenhados em ajudar o próximo.

Como psicólogo e, acima de tudo, como ser humano, me faltam palavras. Mas ao povo gaúcho, gostaria de deixar uma mensagem sincera de esperança.

7. Conclusão – Uma mensagem do Professor Evandro Borges

Sobreviver é um ato heroico de coragem, acolher é um ato de bravura, ser voluntário é um ato de nobreza, e fracassar é o ato de desistir. Vocês não desistiram, não desistirão; irão até o fim. Lutarão pela vida em cada rua alagada, em cada esquina, cada telhado, praça, sobrado, casa, propriedade rural; haverão de lutar na serra, nas estradas, nas planícies, nos arrozais, nos pampas, no campo e nas cidades.

Lutarão nas vilas, nas encostas, na lama, por água, por terra ou ar, com confiança abalada, mas cada vez mais crescente, com a mesma coragem e determinação de vossos antepassados que fizeram do Rio Grande do Sul uma potência de nosso continente, reconstruirão cada estaca fincada nesse solo, cada muro, cada parede, residência, templo, hospital, empresa, escola, biblioteca, universidade, museu ou rua, seja qual for o custo.

Liberdade, Igualdade e Humanidade estão estampadas na Bandeira Rio-Grandense. Que sirvam de modelo vossa coragem, união e força a toda a terra.

Os meus mais sinceros votos de pesar, solidariedade e estima de dias melhores para esta terra de gente tão aguerrida.

Evandro Borges – Psicólogo e Fundador do CEPPA

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